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sábado, 6 de março de 2021

O estrondoso EP “Quem é alcino?” da Oversong


Os caras se reinventaram mais uma vez, a quem está acostumado com as baladas românticas de “7 infernos” pode assustar um pouquinho com o novo som da banda, uma reformulação instrumental bem nítida com o acido da guitarra fazendo o corpo vibrar do inicio ao fim.

Trouxeram uma pegada mais White Stripes em algumas formulas, onde a guitarra simplesmente conversa com a bateria de forma bem nítida, o grave da voz vem de complemento mas ao mesmo tempo é o carro chefe da banda, a voz do João é muito diferente e nesse disco eu senti que ele se soltou mais em arriscar até onde ele alcança, saiu um pouco do seguro que ele fazia bem, se arriscou, e acertou em cheio. Nesse disco tem foco em uma guitarra mas o Anderson fez com que o trabalho ficasse mais limpo e mais aguçado em todas as faixas, é como se limpasse o som e deixasse ele mais fino, mais autêntico ainda e com a cara bem forte da banda, talvez a reformulação sem intenção mas que casou perfeitamente na nova cara da banda. Falar das linhas de baixo é chover no molhado, o Luiz é literalmente um animal quando se tem o trabalho da condução da música e o groove do ritmo, te faz dançar com o corpo e alma e não deixa com que paremos um segundo de sentir em si os acordes que estão mais altos,
e por favor continuem a deixar esse baixo alto que faz bem demais! As batidas encantadoras do Victor também faz com que gire um pouco o estilo musical, ele desacelera e acelera em poucos segundos fazendo que a música não entre em uma monotonia, fazendo aguçar mais ainda os ouvidos em todo som que a banda reproduz, a evolução é constante dos caras, mas a dele é um absurdo em como ele manda bem em todas as faixas! Com tendências vindo como já disse do White Stripes, uma pegada mais lenta das baladas do Queens of stone age e uma brasilidade do Los Hermanos,
mistura tudo isso com a essência em si dos caras e torna a banda mais autentica do sul do mundo. Um complemento, o disco é fechado e aberto tão facilmente que parece que a banda está ali proclamando as músicas com uma facilidade absurda, mas se engana quem ache que isso é fácil, fechar um trabalho como esse requer além de esforço um tremendo talento, e como falei a banda está cheio disso, talento, correria, vontade e amor, é isso que eu sinto sempre quando eu escuto e vejo tudo que a Oversong transpira, é inspirador estar perto e conhecer esses caras, o mundo é pequeno pra eles e “2004” é a melhor música feita da banda, meu deus que som delicioso de escutar.


LINKS DA BANDA


terça-feira, 27 de outubro de 2020

A carta aberta de Olivia Yells

 


A carta aberta de hoje é cheio de força e de muita autenticidade, sem papas na língua a Olivia soltou o verbo, contou um pouco de sua história e projetos, então se liga que a matéria está finíssima!

História pessoal e na música

"Meu nome é Olivia Yells e eu me criei e recriei desde o começo. E “começos” são muito subjetivos pra mim, por que acho que a minha vida inteira passei pelo processo de me reinventar de novo, de novo e de novo. Eu sou uma artista lançada em meio a uma pandemia, e nem em meus sonhos mais doidos eu me preparei para isso !!! ! !! ! O lançamento da meu primeiro single “Good Manners” estava planejado para ser feito, mais ou menos, uns 4 dias depois que começou a quarentena aqui em Curitiba, minha cidade natal. Estava planejando um evento de apresentação do meu trabalho, e meu segundo single, “Bittersweet Lullaby” já estava engatilhado para a produção. Mas daí eu fui lá e recomecei. Não sou uma pessoa muito paciente, confesso, mas eu esperei por tanto tempo a hora pela qual eu poderia finalmente me por a cara tapa, que me dispus a esquecer que existe algo como “tempo passando”, por que percebi que já não tinha controle sobre isso (se algum dia já tive, foi ilusório). E essa é uma das maiores verdades sobre mim e sobre o meu trabalho: a paciência e a memória de me lembrar a todo momento que quase nada está 100% em meu controle. E olha, tem dia que dá vontade de espernear igual criança e gritar “por que as coisas não saem como eu planejo!!???!??!!?!?!?!?!!”, tem dia que não é fácil não. Mas em geral, eu não fico mais tããão brava com o universo, até que nossa relação tem dado certo. Será que é nesse ponto que a gente começa a aprender a jogar esse jogo? Atualmente, com as duas músicas lançadas, já comecei a trabalhar no meu EP lindão, junto com o meu produtor, Lipe Borba. E quando for o momento certo, Olivia Yells vai vir pra tocar um pouco mais de terror nesse mundão."

Pandemia e lições

"Nos primeiros 3 meses da pandemia, eu estava na corda bamba entre estar motivada a continuar os trabalhos, e depois me encontrar completamente jogada no sofá assistindo “The Office” tentando esquecer todo o cenário do mundo estar fora dos trilhos. Agora, no oitavo mês de isolamento, não posso dizer que isso mudou muito, mas infelizmente tudo ao redor nos obriga a se adaptar. Os dias tem sido menos difíceis, mas continuam complicados. Estudo música sempre que eu posso, tento compor um pouco todos os dias e estudos assuntos relacionados à minha faculdade de Fotografia. Estou quase sempre estudando, independente do que seja, isso me mantém sã. Infelizmente é difícil pra mim parar tudo e ficar um pouco mais “alheia”. Sempre foi assim, mas nesse momento é ainda mais complicado, parece que a ansiedade vem como um soco no estômago. É algo que eu preciso mudar, ou pelo menos, normalizar um pouco."

O mundo a sua volta e o que está acontecendo

"Acho que eu nem preciso dizer que tá tudo errado né? E isso traz uma ansiedade enorme sobre o que podem ser dos próximos dias, meses e anos. As vezes sinto muito medo quando estou em contato direto por muito tempo com a internet e a mídia. É apavorante, vivemos em tempos completamente sombrios. Por outro lado, é muito animador ver que temos pessoas na resistência, e por isso, eu acredito muito no “ainda há tempo”, por que, como falei anteriormente, é nisso que eu tento me focar. Precisamos buscar todos os dias formas que estejam ao nosso alcance e que possa fazer alguma diferença sobre tudo isso. A arte tem se mostrado meu instrumento mais forte de combate, e por isso, absolutamente nada pode me impedir de lutar por dias melhores."

Deixe um recado como Olivia artista e Olivia cotidiano

"Lute pelo o que você acredita, e tá tudo bem se contradizer as vezes. A gente nunca sabe realmente de algo até ser colocado frente a frente com aquilo. Nossas verdades mudam com o tempo, e a gente tem que acompanhar o curso da vida. Sinta seu coração! Ah, e grite quando puder. Gostoso demais."

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Fotos: Kevin Agostinho; Maju Tohme.