Difícil vir falar de um dos discos que compõe facilmente a
minha vida desde a adolescência, esse disco é uma das obras que eu mais escutei
do início ao fim com toda e absoluta certeza, e tenho um amor especial por cada
faixa que ele compõe. O lançamento do mesmo la nos primórdios de 2001 mais ou
menos, fazendo com que uma nova escola musical fosse criada, traz\endo muito
forte toda a tendência punk que a banda gostava mas deixando com uma cara nova
e totalmente identificada com os integrantes, pode-se dizer que o Blink é o pai
do pop-punk, gênero que é uma derivação do punk clássico com guitarras rápidas,
refrões simples e batidas estonteantes na nossa cabeça. Mas nesse texto vim
falar do sentimento com esse disco, e não do estilo ou gênero que ele se
classifica, pois me lembro bem de andar com meu mp3, colocar “Shut up”, subir
no skate e sair sem um rumo certo e me entendendo cada vez mais e mais.
A banda sempre gostou de brincar e fazer trocadilhos em suas
letras e também no nome do álbum, sempre um tom cômico mas extremamente sarcástico
em alguns momentos, na época do lançamento do disco um dos assuntos mais
falados eram os lares destruídos pelas separações matrimoniais, era como se
pessoas que tiveram divorcio na família teriam problemas ou não seriam ninguém,
assim o Tom “Vocal/Guitarra” escreveu uma das suas melhores músicas que é “Stay
Togheter For The Kids” que é a alma puríssima dele sendo expressa nas letras, você
percebe muito sentimento ali e muita vontade da mudança em geral, é de
arrepiar.
Em uma época onde os clipes eram de extrema importância para
alcançar um público maior, a banda sempre dava um jeito de aguçar mais ainda
nas atuações, o clipe de “The Rock Show” e “First Date” são um exemplo claro do
que a banda é com toda a sua irreverencia e extrema, mas extrema forma de
dialogar com os fãs de uma forma leve, quem dera hoje em dia os clipes fossem
mais valorizados, saudades MTV.
Não vou alavancar as faixas que mais gosto ou algo parecido
porque eu realmente não consigo, eu gosto de todas as músicas desse disco,
então do meu eu jovem skatista e também do meu eu adulto que ainda anda de
skate peço que escutem e deem uma atenção enorme a esse disco, pois ele
vale cada segundo que você possa ter. O Blink 182 pra sempre vai ser uma das
bandas da minha vida, e com toda certeza esse disco me moldou e ajudou a ser
quem eu sou hoje, então ao Tom, Mark e Travis, um muito obrigado.
Um das bandas que mais me fez sentir novamente ao escutar a
música pela primeira vez, lembro bem do momento que a música era “Major System
Error” e eu não sabia nem explicar o porquê estava gostando. O som é muito
diferente de tudo, é rápido, agitado, agressivo e pede mais e mais, uma droga
constante que corre nas suas veias ao escutar, fazendo ter mil delírios em
pouco tempo de música.
A banda é formada desde 2007, nas origens humildes do sul da
Inglaterra mais precisamente em Bingley, nas terras mais desertas e sol que existe
do reino unido. Talvez a banda possa ter usado da falta de luz pra criar em si
uma luz tão forte que ofusca sua mente de pensar no momento em que escuta. Um
quinteto que era pra ser simplesporém a força da sua frontgirl é inexplicável,
a “Becca” Macintyre é um estrondo, ela coloca sua voz em alguns tons que você
jura que depois ela pode ficar até sem falar, são gritos de uma natureza tão
forte clamando pela mudança do mundo, mas se engane quem diga que é apenas ela
e a banda é comum, o instrumental dentro da mesma música se reinventa e muda de
forma muito rápida, é de uma mutação muito forte e deliciosa de se escutar.
Com dois discos de estúdio lançados, o primeiro “The weird
and wonderful marmozets”, olha que nome sensacional de disco que ganhou o prêmio
de melhor disco do ano no Kerrang Awards uma das premiações mais aclamadas pra gêneros
menos “brilhosos” nas américas. O segundo é o“Knowing what you know now”, que
traz uma sensibilidade muito forte nas letras mas com o instrumental botando
fogo em tudo no redor.
A banda é extremamente bem falada e aclamada pela Europa, um
rock alternativo com pitadas de post hardcore faz mundo se chacoalhar, apesar
de já terem uns anos de banda ela não estourou de forma que merecem aqui na américa
do sul, mas com certeza ainda vão chegar por aqui. Com a passagem e fim dessa
pandemia, que seja logo, torcemos que eles venham fazer um show pra cá ou
consigam trabalhar em materiais novos, porque a qualidade da banda é um
absurdo.
Mais uma carta aberta, dessa vez com a Lidia, baixista da
banda Binarious que tem uma veia musical muito forte desde sua infância, além de
trazer a entonação que precisamos e alavancar cada vez mais a arte no nosso
universo. Então se aconchegue e aproveite essa matéria que ficou fina demais!
História pessoal e na música
"A minha relação com música começou muito cedo. Sou a caçula
e tenho uma irmã e um irmão que começaram a estudar música bem cedo e já me
influenciaram a entrar nesse universo. Seguindo a mesma estrada dos meus
irmãos, com 12 anos, eu entrei na Escola de Música de Brasília. Era nova e não
sabia qual instrumento eu realmente queria, lembro que as meninas na época
tocavam violino ou flauta transversal, eu escolhi a flauta transversal. Mas em
2 anos eu abandonei, entendi que aquele não era o meu instrumento e com 15 anos
escolhi o contrabaixo pra vida. Comecei tocando com amigos pra me
divertir, e com 17 anos, fui chamada para integrar uma banda que começava com
grandes ambições, o Sentupé. Éramos quatro integrantes, e eu bem mais nova que
todos. Fazíamos muitos shows, ensaios constantes pra deixar tudo bem redondo,
planejamentos consistentes em cada fase que a banda entrava. Gravamos 2 cds
demos e nosso primeiro disco saiu em 2002. Conquistamos um grande público em
Brasília e como próximo passo dos nossos planos, saímos de Brasília para
alcançar novos territórios. Fomos pra Porto Alegre, mas em 1 anos a banda se
desfez, e cada foi pra um canto do país. Eu fiquei em Porto Alegre
pra terminar a faculdade de publicidade. Por alguns anos acompanhei a
banda gaúcha Tom Bloch nos shows que faziam na capital gaúcha, junto com o Iuri
Freiberger, Pedro Veríssimo e Ray Zimmer. Gravei um clipe com eles da música
"Entre nós Dois". Uma banda que sou muito fã até hoje. Em novembro do
ano passado, fui convidada pra participar do show de 20 anos da banda,
realizado no Bar Ocidente e foi uma experiência incrível estar no palco com
eles novamente. Por muito tempo fiz parte de bandas covers por falta de
tempo pra me dedicar à uma banda autoral. Tocar covers sempre foi muito
divertido e me manteve sempre ativa e nos palcos. Já montei bandas covers de:
The Cure, Green Day, Alanis Morissette, Foo Fighters, The Hives e Indie Rock. Assim
que voltei a morar em Brasília, entrei na Escola de Música de Brasília, e dessa
vez pra fazer o instrumento certo: o Contrabaixo Acústico. Logo depois montei
uma banda de versões em jazz de clássicos do rock e pop. Se chamava Pingado
Jazz. O baterista, Bruno Zaban, insistiu pra que eu cantasse também, mesmo
muito insegura comecei a me soltar pra cantar e não quero parar mais! Você
criou um monstro Zaban. Ainda no contrabaixo acústico, corri para o folk
com um tributo de Johnny Cash, junto com grandes amigos e músicos de Brasília:
Fill Braga, Hélio Miranda, Adriah, Carlos Beleza. A saudade aperta forte desse
projeto, mas ele tá sempre ali pronto pra voltar aos palcos. Ano passado, a
guitarrista e vocalista Andressa Munizo me convidou para entrar na banda
Binarious. A gente teve sintonia logo de cara, tanto musical, quanto na
parceria e na forma de trabalhar. Fizemos vários shows antes da pandemia mudar
nossos planos. Durante a pandemia lançamos nossa versão pra música da Tuyo,
Vida Loca, junto com um clipe feito de forma colaborativa e caseira com amigos.
E já estamos com planos pra 2021 e compondo para o próximo EP. Fora dos palcos,
minha paixão pela música e pelo jazz me fez produtora cultural quando fundei o
Jazz no Porão. A ideia foi tirar o jazz de pano de fundo, como eu via
constantemente em bares, e trazer como protagonista e grande estrela da noite.
Durante 2019 foram edições mensais na Cervejaria Criolina, sempre com casa
cheia e músicos incríveis no palco. Foi um ano bom demais."
Pandemia e lições
"Paralelamente aos trabalhos musicais, bandas, produções
culturais eu trabalho com publicidade, sou diretora de arte. Nas agências de
publicidade o trabalho tem sido intenso no home office, o que acaba não
sobrando muito tempo livre mesmo em isolamento social. O Jazz no Porão foi
forçado a parar e as bandas também, com exceção da Binarious que segue em
produção mesmo remotamente. Então aproveitei pra estudar no meu tempo livre,
quem sabe eu saio falando francês dessa quarentena. ;) "
O mundo a sua volta e o que está acontecendo
"Acho que estamos em um momento que todas as minorias estão
ganhando mais voz, seja pelo poder de alcance que a internet nos proporciona ou
pelo apoio que temos nos dados uns aos outros. Falando especificamente sobre a
equidade de gênero, nunca vivi um momento na minha vida com tantas mulheres se
levantando tanto. Fico emocionada como essa rede que ganha força a cada dia,
conquistando espaço e fortalecendo um movimento muito importante
pra conquistarmos direitos iguais. Mesmo em pandemia, segue o mantra:
ninguém solta a mão de ninguém. É só passar um alquingél antes. Porque
precisamos mais do que nunca do apoio e força um dos outros, considerando o
governo que temos hoje e só dificulta nossas lutas."
Deixe um recado com Lidia musicista e Lidia do cotidiano
"O meu recado ao mundo é que se você quer algo, corre atrás!
Se arrisca, sem medo ou com medo, mas se joga. Para as mulheres da música,
eu digo #ToqueComoUmaGarota e bora juntas nessa jornada pra aumentar a
presença feminina nos palcos, nos festivais, enfim, na música."