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quarta-feira, 4 de agosto de 2021

O etéreo em Alcest

Você já encontrou uma banda que te proporcionasse um turbilhão de emoções diferentes cada vez que você ouvia uma única música? Essa sensação é, muitas vezes, difícil de encontrar, principalmente quando a gente não entende muito bem um contexto, uma letra ou algo assim. Com o Alcest, não é necessário saber francês (até porque muitos sons do vocal são ininteligíveis de propósito, de acordo com o Neige, fundador da banda), não é necessário um conhecimento formal de música e melodia para sentir aquilo que as canções passam, seja por se identificar com o estilo ou por elas trazerem à mente alguma lembrança no momento em que se ouve. 

O Alcest surgiu em 2000 com um som único que unia elementos do black metal e do shoegaze, formando um subgênero que alguns chamam de blackgaze, outros de atmospheric black metal, post metal, enfim, sabemos que é difícil definir em caixinhas os gêneros musicais que muitas bandas pertencem. Com seis álbuns e um ep, Neige explora sonhos e experiências espirituais que teve em sua infância, momentos cheios de sinestesia, fantasia e elementos não presentes no mundo real, fazendo com que refletisse no próprio nome da banda que, de acordo com Neige, não tem um significado específico, mas soa agradável. Neige se inspira, ainda, em pinturas, em músicas, culturas, na natureza e em tudo ao seu redor. Os álbuns alternam entre uma mistura de algo sublime e obscuro, uma sensação, muitas vezes, de desespero, mas também de alívio, um melancólico natural do ser humano, perceptível, inclusive, em elementos da natureza, como dias chuvosos, uma noite em florestas escuras, em consonância com uma visão de um pôr ou nascer do sol. As impressões deixadas pelas criações do Alcest são únicas, são profundas de maneira que poucas bandas conseguem atingir e valem indubitavelmente a pena.


LINKS DA BANDA



Autora do texto: Laura Zanetti

sexta-feira, 14 de maio de 2021

O Carlos em seu Salto Grande


 

Em um papo muito bacana com um amigo de longa data o Caique Fermentão, ou melhor nesse projeto especifico e solo se denomina o Carlos, consegui detalhes de como foi trabalhar nesse novo projeto e como desenvolveu todos os aspectos de criação da arte. Se liga ai que veio quente!

Pandemia e lançar um disco solo

Quando a pandemia começou foi bem complicado (e ainda é) entender tudo o que estava acontecendo. Eu tava vivendo uma realidade que do dia pra noite acabou. Tocava em várias bandas, ensaiava muito, tava sempre no estúdio Costella gravando algo e vivia na estrada tocando. Quando tudo foi colocado em espera por tempo indeterminado sofri muito e por um tempo não quis mais fazer muita coisa. Aí um dia eu pensei que já que não tinha mais nenhuma banda ou projeto rolando, poderia criar o meu. Como eu toco vários instrumentos comecei a criar uma rotina de todo dia tentar criar alguma coisa. As músicas foram saindo e quando vi tinha um disco. 


O surgimento da ideia de um disco solo

Fazia um tempo que eu queria voltar a cantar, tocar guitarra e fazer um som meu. Não pensava necessariamente em ser uma banda ou algo assim, só queria criar algo com a minha cara. O Corona Kings, onde eu fui guitarrista, vocalista e fazia grande parte das músicas e letras, não toca a mais de dois anos e eu ultimamente tinha assumido a bateria de outros projetos em tempo integral. No fim de 2019 eu comecei a fazer umas músicas sozinho em casa por pura saudade de tocar guitarra e cantar. E com o tempo aquilo foi tomando forma.Nessa época a Gabriella, minha namorada, me motivou muito a continuar compondo. Ela vivia falando que eu precisava mostrar aquilo para as pessoas e eu comecei a pegar gosto pela ideia. Um dia eu tomei coragem e mostrei algumas demos minhas pro Alexandre Capilé e na hora ele falou que queria produzir meu disco. Depois de um tempo nos isolamos do mundo no estúdio Costella e gravamos o meu disco em uma semana, e o disco do Ator Morto na outra.

Influencias nas composições

Cara, são várias! O disco disco tem psicodelia, grunge, stoner, Rock’n Roll , música caipira, gritaria e umas baladas. Eu quis tomar posse de tudo que escuto desde criança e fazer uma parada com a minha cara mesmo, sem medo de ser feliz. Algo que mudou bastante, desse meu projeto pros outros que já tinha lançado é que passei a ouvir muito mais música brasileira, e isso entrou bastante no som.Posso dizer também que fui influenciado por pessoas. Tem muitas músicas do disco que escrevi pra pessoas específicas, então acho que as músicas acabam tendo um pouco a cara dessas pessoas.

Caique solo ou apenas mais um projeto?

Engraçado que você até perguntou com “Caique” e esse foi um dos motivos que eu escolhi chamar esse projeto de “O Carlos”. Quando tava pensando no nome do projeto tive essa brisa que o Caique já é o cara das 25 mil bandas e eu queria ser algo novo. Então a resposta da sua pergunta é que o “Caique” continua tocando em todas as bandas e projetos que ele faz parte, com toda a vontade e coração que ele pode ter, e “O Carlos” é só solo. 

O que é esse novo projeto e o que está por vir

Cara, esse disco é fruto de muita coisa que passei nos últimos anos, muita gente que cruzou meu caminho, tá tudo ali pra qualquer um ouvir. Eu coloquei minha vida e alma nas músicas e fechei muita coisa da minha vida nesse disco. Pra mim ele tem muito disso de virar a página e me reencontrar no caminho.Durante o processo de composição dele fui de morrer de rir em algumas músicas até chorar por dias quando escrevi outras. To muito feliz com o resultado final, acho que quem me acompanha e sabe da minha história vai entender o que fiz e o que quis dizer com tudo isso. Com relação ao que está por vir, na quarta que vem já lanço uma live onde eu toquei praticamente o disco todo e todos os instrumentos, fiz a banda toda mesmo. O meu parceiro Denis Carrion dirigiu e filmou a parada toda e já posso te dizer que tá um absurdo de foda.Vou continuar lançando coisas do Carlos ao longo do ano. Mais clipes, lives, mais pra frente gravar músicas novas e ainda tenho que anunciar a banda que vai me acompanhar nessa doideira toda. Aí quando todo mundo tiver vacinado a gente marca de cantar junto as músicas em algum inferninho por ai. 


Links do artista



sábado, 31 de outubro de 2020

Cinco motivos para escutar "Post Human: Survival Horror" do Bring Me The Horizon

 


Esse disco veio como um cometa em nossa cabeça, é uma pancada em diversos sentidos, e o principal com a evolução constante que o Bring Me The Horizon oferece aos seus fãs. O disco foi totalmente produzido na pandemia, cheio de atrações especiais e que vou abordar mais afundo abaixo nos motivos que vai começar, se liga que vem quente!

Primeiro tem de se falar o sacrifício que é para todas as bandas conseguirem produzir algo em meio a esse caos que vivemos, a arte interior fica um pouco mais vazio e assumo os medos, anseios e desespero. Mas a banda soube muito bem pegar esses elementos e fazer um disco sensacional e que tocasse a todos os cantos do mundo com sentimentos abruptos a todo momento.

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O disco não ficou longo, tem duração de um pouco mais de trinta minutos, as músicas latentes são rápidas e com muitos riffs que a banda nunca havia mostrado as caras para nós, então entra de novo aquela sensação que a banda se inovou de novo, que já vem se tornando a face da banda, uma mudança constante.

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Ao escutar o disco eu sinto gritos ecoando dos meus ouvidos, é como se toda música fosse uma parte dessa quarentena insana que vivemos e não acaba, é como se cada música gritasse o episodio eterno que estamos vivendo, com os sentimentos mais conturbados e enozados que são, talvez um grito da alma de todos que faz o ar entrar um pouco melhor em nossos pulmões.


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Tem participações sensacionais no disco, como a Amy Lee em uma das faixas mais emocionantes e intimistas, também o jovem Yungblud que vem estourando mundo a fora pela irreverencia e tamanha autenticidade, também as garotas do BABYMETAL que fazem um som sensacional e também a Nova Twins que dão um ar muito massa em uma das músicas.

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Agora vamos lá, alavancar o top três do disco, que vai ser quase impossível porque todas tem uma particularidade imensa dentro dessa obra. Mas inicia com a “Teardrops” que foi uma música que me tocou particularmente tanto pela letra como pelo clipe também, é forte e cheia de toques que te hipnotizam pra dentro com a letra falando como se fosse o reflexo de sua própria fala, um grito de piedade a vossa alma. Depois com toda certeza tem de entrar “Dear Diary”, que música maluca, nunca pensei que eles fariam um som tão hardcore como esse, é extremamente rápido e muito pesado, gritando a um diária sem entender nada com que acontece as coisas no hoje em dia, há elementos diferentes nos instrumentos mas a bateria come solto com variações de vocal em screamo e extrema suavidade, é uma daquelas músicas que você quer gritar tão alto a endorfina que te percorre ao escutar, é de outro mundo! Agora eu vou colocar fogo com “Kingslayer” que tem a participação da BABYMETAL, que também vem com essa pegada mais pesada e rápida mas muda bastante com o som da participação oriental das meninas, tem uns toques bem fortes do sintetizador mas o carro forte é a bateria de novo com riffs de risada bem altos e o vocal do Oliver chegou ao topo nesse som, é uma viagem de outro universo! BÔNUS, não podia deixar de citar a “One day the only butterflies left will be in your chest as you march towards your death”, que com esse nome gigante já chamou atenção, e nela tem a participação da sensacional Amy Lee, que fez um som em conjunto a banda com piano e muito poder, faz o sentimento rolar solto os arrepios rolarem e uma sensibilidade tomar totalmente a conta, é pesada de se ver e ouvir mas é aquilo que devemos ouvir a aprender mais ainda conosco. Finalizando esse discaço, que ainda tem várias músicas sensacionais com “Parasite Eve” que já virou matéria aqui, “Obey” que tem a participação do Yunglbud, e várias outras,  mas deixo pra vocês descobrirem e degustar ao máximo!


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sábado, 26 de setembro de 2020

Cinco motivos para escutar “Take Off Your Pants and Jacket” do Blink 182

 


Dessa vez o disco é mais antigo, meados de 2000 saia essa obra prima da banda e com isso a explosão total do estilo Blink pelo mundo a fora, trazendo em si os estilos de cabelo, as roupas, o lifestyle do skate, a loucura dos shows e a rapidez que tocavam. Abaixo tem cinco motivos para saborear esse que é um dos melhores discos da nossa geração.

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O primeiro motivo é óbvio e fácil de falar, é o melhor disco da banda em sua história e tenho dito. Une a maioria dos singles que explodiram na mídia, as letras estão carregas e tem contextos mais pesados e mais sentimentais que nos discos anteriores, a partir daqui o estilo Blink foi lançado e até hoje é seguido por muitas pessoas e bandas, então esse disco é sim o maior marco na história da banda.

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Um fato curioso que no início das gravações desse disco o intuito era trazer um tom mais pesado, como na faixa “Stay Together for the kids”, mas o empresário da banda disse que queria musicas mais animadas, mais lúdica e besteirentas, com isso ambos, Mark e Tom, foram pra casa putos das vida, um compôs “The rock show” e o outro “First Date” com raiva do empresário. Se a raiva deles pelo empresário fez eles criarem esses hits, esse empresário merece uma estatua, porque ambas se tornaram músicas marcantes da banda!

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É palpável em como a banda nesse disco está mais na sincronia um com o outro, não são batidas repentinas, nem acordes saindo aqui e ali fora de ordem, meio que arrumaram um pouco a bagunça instrumental (não que fosse ruim, longe disso), e começaram a soar mais harmonicamente nesse disco, como se fosse um polimento no estilo musical da banda.

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Uma banda que ainda está ativa, sem o vocalista frontal que mudou mas a banda está até hoje. Com uma imagem irretocável no cenário punk ou como os rótulos queiram dar, com discos monumentais, colocaram uma enorme quantidade de bandas no mapa pelo estilo musical que eles são percurssores, discos cheios de prêmios e tudo mais, eram reis na extinta MTV, ainda embalam romances e rolês e tudo mais com suas músicas, não pode ser deixado de fora, o Blink é sim uma das maiores bandas da história, e digo que é a maior do seu gênero musical, torço que as próximas gerações consigam apreciar a banda e degustar desse energia que eles sempre mantiveram.

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Agora vamos de top três do disco, por mim eu colocava o disco inteiro mas vai ficar muito extenso, então vamos la. Inicio com a “Shut Up” que foi a primeira música do disco que eu escutei quando foi lançada, ainda estava começando a aprender um pouco inglês mas mesmo assim eu já entendia o poder da letra, a raiva e os gritos em que o Mark cantava “I'll never ask permission from you, fuck off, I'm not listening to you, i'm not coming home, I'm never going to come back home!” é a exclamação da mudança que a alma necessita! Depois vou colocar “Everytime i look for you” que é sensacional, nela há varias trocas dos vocais entre o Mark e o Tom, que deixa a música mais dinâmica ainda, as batidas do Travis deixando rapidamente a loucura, a guitarra predomina um pouco mais a frente, o tom é alto e a barulheira faz você querer sair correndo pro mundo a fora, é uma energia surreal, e a letra me traz que é o encontro com uma pessoa que sempre deixa alguém pra baixo como “Everytime I look for you the sun goes down, and I stumble when this whole thing runs aground, i left another message you are never around, but everytime I look for you the sun goes down once more.”, como se tentasse estar ali mas a pessoa só suga toda a energia da outra. Depois e não poderia faltar, eu tenho de colocar “Stay togheter for the kids”, que é o marco na banda como som e como estilo, nela há a separação do som mais leve e do pesado, o tema de tentar manter a família unida apesar de tudo e se importar pela criança que está ali, se importar mais com a vida do outro e manter uma casa sem ter ruinas, vem junto com um barulho ensurdecedor da guitarra e do baixo, as batucadas do Travis vem latejando na mente e faz a música mais pesada e sensível que a banda já fez, o trecho “So here's your Holiday,hope you enjoy this time, you gave it all away, it was mine, so, when you're dead and gone, will you, remember this night, twenty years now lost?, it's not right”, e se repete várias vezes com um piano ao fundo, é lindamente pesada essa música. Claro, tem várias músicas sensacionais como, “The rock show”, “Online songs”, “Please take me home” entre outras, o disco é fenomenal pode confiar e apreciar! 



sábado, 19 de setembro de 2020

Cinco motivos para escutar "The Fine Line Between Loneliness and Solitude" do Gustavo Bertoni

 


Nessa quarentena muita coisa tem rolado, notícias e sensações andam vindo ao extremo, e alguns artistas tem nos ajudado com sua arte. Não diferente disso o Gustavo lançou o seu trabalho mais sensível e intimista, com uma pegada que toca a alma e com muita energia o terceiro disco solo veio pra nos dar o afago nesse momento conturbado. Então separei cinco motivos para degustar essa obra prima.

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Ao escutar os três discos nota-se similaridades mas acima de tudo também muitas diferenças, coloco em evidencia que esse disco é harmonizado de uma forma estupenda,a música te penetra e coloca em um transe total, há sons diferentes usados que não são de instrumentos em si, perceptível só quando se separa a música, pois está harmonizado de forma impecável.

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O disco foi gravado em São Paulo e em Berlim, tendo as suas sensações e paisagens sendo absorvidas pelo Gustavo, onde tudo que viveu nas cidades sendo transmitido em forma de música e sentimento.

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Coloque a música e se deixe abraçar por você mesmo, nesse disco uma das mensagens é sobre a solitude, que muitos de nós pensamos ter a derivação de solidão, mas não é, pois a solitude é a vibração e a glória de estar sozinho, uma enorme diferença do peso negativo que se vem com a solidão.

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Os dois clipes lançados do disco, para “Waves” e “Sit down let’s talk” são muito bem produzidos, uma temática de grandes diretores como a visão em cortes fortes como Kubrick e as paletas de cores e a magia da ação com Tarantino. São clipes imensamente penetrantes e que te fazem absorver tudo que vê e escuta!

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Agora vamos com nosso top três do disco! De cara já inicio com “Waves” que tem toda uma sensação música clássica mas com a pegada do folk, é uma mistura muito única e feita de forma esplendorosa pelo Gustavo a letra tratando de sentimentos e suas derivações em como uma hora estamos em cima do nada podendo estar pra baixo em um ciclo infinito, além do clipe que é uma obra prima! Depois eu coloco “Midnight Sun” que fez uma menção no incio com os acordes de Mumford & Sons, mas já vem com um dedilhado depois que muda bastante e entra alguns sons como se fossem experimentais de fundo e com o vocal ficando mais suave deixando emergir os sons da sala de gravação por completo, é uma viagem sensacional! E pra fechar destaco “Patience” que é a favorita do disco, pelo nome me chamou a atenção desde o inicio, a letra a meu vr trata de uma paixão que se notou que não estava preparado e deu a si um tempo uma paz, e que estava tudo bem ficar sozinho naquele momento, como em “Give yourself someti-me, patience, my friend, you’re still worth fighting for..” e vai finalizando a música, é realmente um abraço em forma de música.

Esse é um disco sobre sentir, se sentir em completo e livre, faça isso e coloque em um momento consigo mesmo e deixe que as músicas façam a trilha sonora do momento de você com você.


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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

A carta aberta de Edwards Neto



Hoje a nossa matéria é com um cara que não consigo nem identificar de que universo ele é, puro amor em forma de humano, esse artista sensacional que é o Neto, soltou a lábia e nos contou muitas curiosidades além de falar sobre a cena e o cenário em que vivemos, chega junto pra entender o porque esse cara é tão diferenciado!

História pessoal e na música


"Em primeiro lugar, agradeço imensamente pelo convite e pela iniciativa do Vivendo a Música e de você Matheus! Bom, a minha vida inteira eu sempre estive em contato com a música, tenho um avô compositor e músico de chorinho, tive o privilégio de lhe ouvir tocar desde criança, além dele, meu pai e minha mãe sempre tiveram uma grande paixão por música, sendo assim, a minha veia cultural é aberta nos primeiros anos de idade através da música, hoje já se ramificou em muitas áreas, pois a arte e a cultura são coisas do dia-a-dia, tudo é cultura, tudo é arte, compreendendo assim, aprendi a enxergar muitas faces da realidade. Conforme a compreensão sobre o que é a arte, a cultura, as realidades (infinitas), foram aumentando, eu fui enxergando assim a minha função dentro da banda, dentro dos Stolen Byrds, que nada mais é do que um organismo vivo, mutável, em movimento e em constante troca, produzir com eles é uma verdadeira lição e aprendizado, pois a todo momento estamos em comunhão com a criação, ou seja, criamos em comunhão, sabemos que de certa forma a nossa função é transmitir algo que nos faça sentido através das percepções e mensagens que nos chegam, cada um de nós é um instrumento, apenas deixamos fluir, claro que cada um trás algo específico, um ponto de vista, um ângulo da mesma coisa, isso, diariamente, acaba se tornando uma verdadeira escola. Por tudo isso, minha história, minha profissão, minha banda e a veia cultural que se expressa através de mim são junções de vivências que esclarecem o que cada dia devo fazer, aperfeiçoar e me orientar, organicamente, no presente, que é viver."


Pandemia e lições

"Hehehehe, é um tanto quanto caótico, geralmente o que me ocorre é acordar e sentir o que devo fazer no presente, quando começo a pensar ou imaginar demais as coisas começam a entrar em ebulição, que de vez em quando rola, pode ser bom, mas não deixo isso direcionar meus sentires. A pandemia é uma oportunidade de vasculhar minhas interioridades, eu encarei assim, tudo aquilo que é inconsciente, subconsciente, profundo, seja qual for o nome. Tem sido bem um momento (longo) de muita reflexão, indagação, silêncio e menos ação. O que tenho feito mesmo é buscar cuidar do mínimo, que na verdade, quando você vê é o máximo! Como cuidar do quarto, da casa, dos amigos, da companheira, do bem estar. Resumidamente, estou cuidando de coisas, coisas que muitas vezes não consigo nem saber direito o que são, mas são coisas que me fazem pulsar, no fundo, adoro imersões e esta tem sido uma grande."

O mundo a sua volta e o que está acontecendo

"Primeiramente, fora Bolsonaro, em segundo lugar: Está acontecendo uma inversão de valores em níveis bizarros, estamos enxergando o monstro que foi criado a milênios na nossa cara e não conseguindo derrubar ele, está na nossa frente todo o acúmulo de preconceito, desprezo, desrespeito e egoísmo, que além de tudo incita a morte e a ignorância.  Essa realidade influência quase 100% da nossa população brasileira e está completamente tomada por genocidas, é muito tóxico ter que entender, absorver, acompanhar o cenário como um todo, ao mesmo tempo temos a necessidade, pois precisamos nos situar, posicionar e não fechar os olhos para o absurdo que é isso. Todas as lutas que travamos hoje estão tencionando pois tem que tencionar, não podemos dar mais passos para trás como humanidade, este é um momento muito importante para olharmos para o futuro com mais amor, respeito e igualdade. As lutas não são de hoje, mas chegou a hora de realmente dar um basta, pra tudo que é opressivo, desigual e desumano. O que faço é sentir, posicionar, resistir sendo resiliente e crescer com a adversidade que me é proposta. Vou sempre defender o lado oprimido e fortalecer aqueles que amam a vida, o que fazem e transmitem esta verdade. A vida é muito mais do que essa destruição, com certeza. Ainda acredito no amanhã."

Deixe sua fala se existe a diferença entre Neto artista e Neto do cotidiano

"Não há separação. Só quero dizer pra quem tá lendo, que se você chegou até aqui é porque você gosta de mim e eu gosto de você, isso é mais importante que tudo, amar e se amado. Um grande beijo no coração de vocês, nos encontramos em breve. <3"

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Links do artista





sábado, 22 de agosto de 2020

Cinco motivos para escutar "Out of Exile" do Audioslave

 


De início já chego falando, o Audioslave é uma das dez maiores bandas de rock da história, uma banda cheio de nuances e muito sentimento, misturado a um instrumental impecável botou fogo um pouco a frente dos anos 2000, e até hoje faz o sangue ferver! Mas em especifico esse disco, tem muita coisa especial, e abaixo você vai conhecer cinco motivos para degustar do início ao fim!

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Uma banda que tenha seu frontman chamado Chris Cornell, não tem como não dar certo. As potencias vocais que ele sabia mesclar dentro da mesma música, aumentando seu próprio tom e abaixando em uma balada suave a pouco tempo era feito de uma forma que nunca vi desde que ele se foi, e deixou esse vazio a todos, a saudade será imensa sempre.

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O disco é extremamente bem tocado, mas é difícil distinguir e rotular ele (mesmo eu não gostando de rotular nada), tem pegadas do hardrock bem forte, lembra as nuances do grunge, tem algo mais moderno do modern rock e tudo mais, é bem misturado e bem único, os timbres balançam a qualquer música que eles toquem.

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Nesse disco a banda tentava ainda quebrar a comparação de ser apenas uma extensão mais moderna do Rage Against the Machine, por ter a maioria da banda e apenas mudar o vocalista. O primeiro disco teve diversas criticas a isso, era muito comercial, não falava muito de sentimentos, e era  "apenas" bem tocado a imprensa falava. Nesse o choque foi grande e potente, o sentimento é do primeiro ao último segundo, não tem nada de RATM mas ao mesmo tempo tem muito, mas na verdade é o mais puro Audioslave de sua curta existência.

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Ligando do ponto anterior tem de ser muito exaltado o trabalho lírico da banda, as letras são de uma força fora do normal, você sente Tom Morello e Chris Cornell ao extremo, falando de suas angustias, seus amores, seus medos e suas vitórias, de uma forma motivadora e que você sente e pula pra fora do que está no momento, é inspirador demais!

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Chegou a hora do top três do disco, que foi difícil alavancar dessa vez por ter tanta música boa! Primeiro eu colocaria “Be yourself”, inicia apenas com uns acordes bem limpos e devagar, entrando aos poucos o vocal e trazendo uma paz imensa, pouco depois explode com “And to be yourself is all that you can do, To be yourself is all that you can do...” mas mantém um ar bem de balada romântica com os solos do Tom ao fundo sempre, acho que todos deveriam escutar um dia esse som e prestar muita atenção na letra, muda seu dia completamente! Não pode faltar “Your time has come” que é a primeira faixa do disco e já chega mostrando o que a banda estava prometendo aos fãs no momento, que era muita energia e potência musical, essa música na questão instrumental é sensacional, a guitarra é o ponto alto com as brincadeiras nos pedais que o Tom faz durante ela toda, o baixo comendo solto, a bateria dando pancada e o vocal recitando uma história, é formidável de sentir! A minha favorita da história da banda é “Doesn’t remind me”, é a melhor do disco, da carreira e de tudo que se possa dizer, sempre me emociona em um nível absurdo, o clipe é pra lá de chocante e inspirador ao mesmo tempo, a letra é de um sentimento inexplicável como “The things that I've loved, the things that I've lost, The things I've held sacred, that I've dropped, I won't lie no more, you can bet, I don't want to learn what I'll need to forget!” e você já sai pulando e girando com o mundo todo, sai do corpo facilmente! BÔNUS, “Heaven’s Dead” que é sem dúvida a mais pesada do disco, bem melancólica e cheio de sentimento, torna o disco uma mistura muito forte de sentimentos, e a isso só podemos agradecer.






"Essa matéria foi feita em homenagem ao Chris Cornell, que pra sempre será dos meus maiores ídolos, e que sinto sempre uma saudade enorme de sua voz em novas músicas, você faz muita falta ao mundo, espero que esteja em paz."

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

A carta aberta de Douglas Takazono


Vamos chegando que dessa vez a carta aberta é com um dos caras de espirito elevado ao máximo, e uma das figuras musicais que mais impressiona a sua sensatez e audácia nas palavras a atitudes. O Douglas é Vocalista e guitarrista da banda Fusage, e veio soltar o verbo conosco!

História pessoal e na música

"Sou o Douglas, nasci no Mato Grosso do Sul, me mudei para o Paraná em 2010 e me formei em engenharia civil pela UEM. Depois de quase dois anos morando na Irlanda eu voltei ao Brasil e formei uma banda. Pouco antes de lançarmos o primeiro disco decidi sair da engenharia para me dedicar à música. Hoje trabalho como professor particular de inglês e músico na Fusage. Acho que as minhas influências culturais vêm antes de tudo lá de casa, com meus pais que ouviam discos de música clássica, sertanejo raiz e moda de viola, rock dos anos 60, 70 e algumas coisas mais aleatórias. Livros sempre foram um incentivo dentro de casa, mas acho que comecei a ler mesmo quando saí morar sozinho e filmes era aquela história: baixar na internet discada. Teve um cinema por uma época, mas era algo bem precário. Cresci numa cidade pequena, tive uma banda no colégio e a gente chegou a gravar um EP em 2007. Quando vim pra Maringá estudar me lembro que no final do primeiro ano da faculdade já estava procurando formar uma banda. O resto da história vocês podem conferir no documentário Uma forma de seguir do nosso grande amigo Jean Cedemachi em parceria com o Junior Conejo que aborda um tema recorrente no nosso meio sobre viver a arte e ser artista independente além de contar com Stolen Byrds e pedaços da nossa tour juntos."

A vida durante a pandemia

"Como eu citei anteriormente, além da música hoje trabalho como professor de inglês, então desde o início da quarentena (que nunca começou de verdade no Brasil) as minhas aulas estão sendo exclusivamente online. Tem seus pros e contras, como tudo, mas tem sido muito mais pro do que contra ultimamente. Eu acordo mais cedo, tomo meu café tranquilo, faço minha rotina matinal e quando dá uns 5 minutinhos antes da aula eu ligo pros alunos, é uma maravilha. Eu digo isso porque dou várias aulas, uma atrás da outra, simplesmente conectando outra pessoa na sala virtual, e assim tenho tempo pra cozinhar, cuidar mais da casa, etc. Todas as incumbências do jovem adulto se tornaram uma parte mais prazerosa da minha rotina. Por outro lado, tenho pecado muito no quesito atividades físicas. Nunca fui sedentário, mas ultimamente acabei cedendo ao comodismo, é algo que preciso corrigir urgentemente. Quando não estou dando aula, estou produzindo algo pra Fusage ou estudando música, produção, gravação, mixagem, divulgando, pesquisando. Cuidamos das redes sociais juntos, os 4, mas de certa forma eu que faço as publicações na maioria das vezes. Estamos preparando várias coisas pra poder lançar enquanto o Outburst Desert não pode ser gravado e também lapidando as faixas que vão estar nele.Tivemos a ação das cartas na qual nós enviamos uma carta pra cada pessoa que mais interagiu com a banda nos últimos meses. A carta continha instruções e imagens com o tema do próximo disco e cada um deveria produzir uma colagem cotada para ser a capa do álbum. Houve alterações de cronograma por conta da pandemia, mas no final deu tudo certo porque os correios atrasaram pra chegar em alguns endereços e estendemos o prazo pra galera fazer a colagem. Ainda não escolhemos a arte que vai ser a capa do disco, mas estamos tendo ideias muito legais pra usar todas as colagens que foram produzidas, são peças únicas de pessoas que conhecemos nas turnês, gente que descobriu a Fusage e acompanha nosso trabalho, tem sido uma experiência sensacional."

Humanidade e os problemas do cotidiano

"'É muito difícil hoje em dia quem consiga olhar para a humanidade e sentir Humanidade. A gente convive com Fake News já faz muito tempo, mas uma outra parcela da sociedade, pessoas de várias idades, não só o típico ‘tiozão do zap’, mas de posições conservadoras no geral; para esse público essa disseminação de mentiras tem sido o artificio capaz de validar seus privilégios, preconceitos, atrasos sociais, injustiças, etc., sempre provocando medo, incentivando o caos, a violência gratuita. Eles tripudiam a ciência, seja a área que for, se recusam a ter um debate racional e quando tentam é sempre com discursos vazios, argumentos sem pé nem cabeça, não tem diálogo. Essa massificação da informação é produto de um modelo político, econômico e social desequilibrado; fadado ao colapso. Eu enxergo mais ou menos como o professor Domenico De Masi, no livro O Ócio Criativo: Ele afirma que os últimos dez anos do século XX foram marcados pela forte atuação do liberalismo e o discurso amplamente propagado por essa frente que ataca tudo o que é público. Primeiro sucateando os serviços e infraestrutura e em seguida inflamando críticas para desvalorizar empresas estatais no geral, áreas de transporte, ensino, comunicação, eletricidade, recentemente até mesmo os recursos hídricos. Se valendo dessa estratégia, a elite nos vende as privatizações principalmente dos setores mais lucrativos da economia e geralmente necessidades básicas do povo. Compram empresas estatais e vencem licitações de concessão de serviços por um preço muito a baixo do mercado e ainda obtém investimentos do próprio governo em forma de incentivos fiscais, financiamentos a perder de vista, concessões de décadas e mais décadas, enfim, só vantagens. A gente vive isso com a empresa de transporte público de Maringá, numa menor escala, mas população toda sabe, e é um puta atraso. No fim das contas ainda existe o discurso de se investir nas grandes empresas privatizadas para gerar mais empregos e aquecer a economia e por melhores que pareçam os resultados, eles são pontuais, não há solução permanente enquanto insistirmos num modelo desequilibrado. As crises voltam e tendem a se tornar mais recorrentes, desemprego, fome, violência, enfim um abismo socioeconômico que impacta na vida em todas as suas áreas. O ponto é que nós estamos vivendo e tendo experiências constantes de demonstrações de que as coisas precisam mudar. Quando a gente pensa na luta feminista, na luta contra o racismo, na luta LGBTQ+ e tantas outras mais frentes que só exigem respeito, dignidade e iguais condições, nos parece que tudo isso é recente, mas não é. As questões sociais que já clamam respostas e mudanças há décadas, mas agora estão tendo uma maior exposição e visibilidade principalmente nos últimos meses por conta da condição atual em que estamos isolados fisicamente, mas unidos pelos meios de comunicação. Nesse sentido eu penso que estamos vivendo transições importantes, mas de processos muito antigos e que levam um certo tempo para se estabelecerem. Numa escada de longo prazo talvez estejamos vivendo o começo da mudança positiva em muitos setores, mas dificilmente viveremos para ver o mundo ideal."

Recado do Douglas vocalista da Fusage/ Douglas do cotidiano

"Acho que não há separação entre o Douglas da Fusage e o do cotidiano, mas há uma diferenciação. O primeiro atua em um projeto com outras pessoas para expressar e discutir tanto o que ele pensa e sente quanto o que pensam e sentem os seus irmãos de banda e contribuir de todas as formas possíveis por meio dessa ferramenta para ajudar/entreter/melhorar/acalentar a vida das pessoas que a gente atingir. O segundo é uma pessoa normal dentro das suas esquisitices que procura lidar da forma que pode com essa vida maluca que a gente compartilha aqui no planeta Terra. O recado ao mundo é simples. Que tenhamos mais compaixão pelos nossos semelhantes e por nós mesmos, que tenhamos mais tempo para ficar em silêncio e simplesmente ouvir. Eu espero que cada um de nós encontre a paz de espírito e serenidade ao enxergar a vida como uma oportunidade de evolução espiritual em todos os seus momentos."



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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

A carta aberta de Débora Louize


Hoje tem aqui muita alma e transcendência dentro da música, da paixão a escrita e aos coros nos vocais, hoje a carta aberta é com essa artista talentosíssima, estou falando da Débora, compositora, professora, cantora, musicista e muito mais. Abaixo tem o mais puro dela explicito em suas próprias palavras, pare um pouco um tempo e aproveite a leitura!

História pessoal e na música

"Bom, primeiramente meu nome é Débora Louize, tenho 24 anos, sou professora e tradutora de língua inglesa pela Alda English Life, empresa criada por mim e minha amiga/irmã Laura Zanetti, também sou cantora e me envolvo com artes de um modo geral, arte é minha vida. Eu canto desde criança, meu pai tinha um violão e sempre que pegava para tocar sertanejo eu me sentava ao lado e ficava o acompanhando na voz. Eu cresci buscando formas de me expressar e sempre me encontrei melhor na arte, eu pintava várias camisetas e panos de prato ainda com 11 e 12 anos, gostava de dançar hip hop, busquei a arte da luta com o Kung Fu, entre várias outras coisas. Quando tinha 14 me descobri do mundo do rock, me apaixonando por Linkin Park e Evanescence, foi quando eu percebi o que realmente queria da vida, que era cantar e me expressar da forma como o Chester Bennington e a Amy Lee se expressavam. Com 15 anos entrei para uma banda, com a qual comecei a perder alguns medos e estudar mais a minha voz, infelizmente a banda nunca chegou a se apresentar ao vivo e acabou não dando certo. No entanto, entre os meus 17 e 18 anos eu comecei a gravar alguns vídeos cantando e tocando violão para colocar no facebook, com isso a Luana Maran da Red Velvet viu um vídeo e me chamou para fazer um teste com a banda e cá estou desde então. Foi com elas que fiz o meu primeiro show, a primeira vez em cima de um palco e todas aquelas sensações e emoções inexplicáveis. Com a Red Velvet eu fiz várias viagens, conheci muitas pessoas, descobri novas possibilidades com a minha voz, comecei a tocar guitarra, comecei a compor músicas e desde então venho me descobrindo e redescobrindo cada vez como artista e, principalmente, como mulher artista, que é algo que torna essa jornada muito mais cheia de desafios e barreiras para quebrar. Em meio a isso eu fiz parte de outras bandas também que acabaram não dando certo, eu fiz apresentações sozinhas tocando algumas músicas minhas, já participei de um projeto junto com um amigo que é palhaço e já gravei duas músicas com outros dois artistas. Já vivi ótimas experiências musicais e espero viver muitas outras ainda."

Vida durante a pandemia


"Eu tinha muitos planos para 2020, tinha... No início da pandemia, eu achei que isso iria durar alguns dias, eu estava em casa com as pessoas que eu amo, meu pai, minha mãe e meu namorado, ficamos 15 dias de quarentena e eu achei que seria só isso – doce ilusão. Com mais dias dentro de casa, algumas responsabilidades começaram a chamar e eu tive que me organizar. Dei início as aulas dos meus alunos de modo online; na universidade, também, as aulas do mestrado se iniciaram de moto remoto, além de alguns cursos de extensão que eu resolvi me inscrever, todos online. Com essa porção de coisas acontecendo eu fiquei bem mal na segunda quinzena da quarentena, minha imunidade abaixou, eu não me sentia muito bem e acabei não tendo muito ânimo para nenhuma dessas coisas. Minha alimentação, que já não é muito boa piorou e, enfim, tudo foi bem difícil, eu parei de tocar violão e só ficava deitada na minha cama, adquiri uma certa paranoia e ansiedade que qualquer vez que eu precisasse sair de casa eu ficava muito mal, então nem em mercado eu vou mais, apenas meus pais saem de casa. Mas depois de dois meses de quarentena e várias bads eu me acostumei com essa ideia e voltei a busca pela estabilização emocional de novo. Voltei a praticar yoga 3 vezes por semana com as aulas online, estou tendo alguns cuidados tomando shots matinais e chás para a imunidade, tenho tomado sol de manhã, e passei a estudar na área externa da minha casa, com vento no rosto e minha cachorra do meu lado. Nos fins de semana eu decidi não trabalhar, nem estudar, então passo mais tempo com minha família, assistimos filme, conversamos, ou apenas limpamos a casa juntos ouvindo música alta e a cada 15 dias eu visito meu namorado, ou ele me visita e até fizemos uma música juntos, talvez um dia a gente lance, hahaha. Nós, da Red Velvet que no início da pandemia estávamos mais distantes, agora estamos tentando nos reunir (de modo online) e conversando sobre algumas futuras mudanças, estamos trampando, gravamos um vídeo recentemente que em breve estará no ar. Eu voltei a escrever e a compor, comecei a fazer alguns artesanatos também, que pretendo começar a vender em breve, então tem bastante música e arte em geral surgindo aqui durante esse quarto (??? - não tenho mais certeza de quanto tempo estou em quarentena) mês de pandemia."

Opinião do mundo atual e nosso país


"O mundo nunca foi muito favorável para pessoas que não são homens brancos heteros e ricos. Eu fico cada vez mais triste e mais desapontada com as notícias e com as coisas que leio e escuto de muitas pessoas nesse momento atual. Depois de anos de evolução a gente ainda vê notícias de crianças negras sendo mortas pela PM nas favelas, de pessoas que foram abordadas de forma brutal e até mortas simplesmente pela cor da pele. Nós vemos mulheres sendo expostas, violentadas e mortas todos os dias, simplesmente for serem mulheres, por serem vistas como objeto pelos homens. Trans e homossexuais que sofrem com a violência e preconceito diário. Recentemente até mesmo dentro da universidade que estudo houve um caso de homofobia disparado por uma docente à um aluno em meio a uma reunião com mais de 1000 pessoas assistindo. Todos esses preconceitos sempre estiveram por aí nos rondando, a luta é diária para tentar mudar isso, mas com o atual governo brasileiro houve um aval para que toda essa podridão de seres preconceituosos fosse liberada e a violência ganhou muito mais espaço. Sinto que retrocedemos muitos anos e acho, infelizmente, que não conseguiremos avançar tão cedo, pelo menos não enquanto estivermos sob comando desse governo. Eu sei que as vezes a gente acha que não pode piorar, mas olha, esse governo já provou que sempre tem como piorar, o Covid-19 não é, nem de longe, o nosso maior problema. O futuro está na mão de nós jovens, e se não fizermos algo logo, eu temo pelo que possa acontecer."

Recado da Débora do cotidiano e Débora vocalista do Red Velvet


"A Débora Louize do cotidiano é artista, a da Red Velvet também. Arte é parte do meu ser, é o que sou, eu sou arte, eu sou música, mas sou muitas outras coisas também. Eu sou um ser formado de várias partes diferentes, mas que não se dissociam entre si, apenas podem mudar e evoluir. Desta forma, o que posso dizer nesse atual momento é: tenham empatia pelo próximo, ajudem as outras pessoas, você não sabe das batalhas que cada uma luta. Não confiem em quem diga que arte não presta e não serve para nada, eu garanto que ela salva (se pá faz muito mais do que o nosso [des]governo)! Essa é a hora de buscar alguma revolução na música, na arte, na vida e mostrar a que viemos. Derrubemos o governo, derrubemos o patriarcado e derrubemos o preconceito!"


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FOTOS: Bia Colnago, Alex Reis, Marcelo Zavan, Igor Moura.

sábado, 25 de julho de 2020

Cinco motivos para escutar “All Distortions Are Intentional” do Neck Deep



E chegou esse grande dia, saiu o novo disco do Neck Deep! E os fãs da banda podem ficar muito felizes e se satisfazerem com esse baita disco! Veio cheio de potência e muita energia pra cima, super mesclado com alguns tons diferentes mas ainda é a pegada da banda, muito única! Então aproveite e mergulhe na matéria escutando essa baita obra!



Esse é o quarto disco de estúdio da banda, onde sempre se inovou mas em especial nesse deram um passo gigante e uma revolução que eles sempre falavam que haveria, é uma nova onda musical mas ainda com toda a identidade da banda. Tornando cada vez uma nova cara ao pop punk, muito fiel aos seus primórdios também.
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As músicas emanam uma energia muito boa, é uma pegada de superação misturada com alto astral que eles empenham sempre dentro dos discos, segundo algumas entrevistas da banda, o disco se passa em “Sonderland” que é um mundo ficcional com inspiração na palavra “sonder’, que significa “percepção de que qualquer transeunte aleatório está vivendo uma realidade tão vívida e complexa quanto a sua”.

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Esse disco também foi lançado pela Hopeless Records, que já haviam lançado seu disco anterior e também já lançou varias bandas do gênero como All Time Low, e varias do pop punk também.

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Uma das coisas que sempre me faz gostar mais da banda é que sempre tem um tom de motivação por trás da maioria de suas musicas, sempre dizendo que tudo que fazem mal na real um dia vai ser um aprendizado, ou que tudo bem estar em uns dias ruins que tudo há de melhorar, esse ar motivacional com a pegada da banda deixa uma sincronia muito importante pra nos animar nos dias de hoje principalmente, então um obrigado especial a banda, de coração.

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Dessa vez não será top três mas sim top cinco!!! Porque o disco é bom demais, então não tem como eleger só algumas músicas.  De primeira já vou colocar “Sonderland” que é a primeira faixa do álbum e traz tudo que o disco vai mostrar, ela é bem forte no instrumental e também na letra que mostra em como os dias de hoje estão tão sombrios, cheio de julgamentos e em como estamos de saco cheio sem querer falar de política, ou ciências sociais em contradições quando se está a beira de um precipício emocional, e termina meio que tentando se afirmar que tudo vai ficar bem e há de tudo ficar bem, pesado mas ótimo para se refletir. Depois vem “Fall” também que é um dos singles do disco, tem um clipe lançado na pandemia e tem todo um ar muito de skate life que é uma delícia de acompanhar, cheio de visual bacana, e a música é bem o estilo da banda com progressões rápidas e elevações da bateria, junto de um vocal que chama o coro em algumas partes, sensacional.  Vamos de “Telling Stories” agora que é uma das melhores musicas da história da banda, que é muito boa de se curtir e aproveitar totalmente o momento em si, com uma letra forte também como “Everybody else, everybody only talks about themselves, have you ever felt lost in a window, desperate to be loved and just been thrown out?” e explode tudo de uma vez, sensacional de novo!! Agora tem de ser a queridinha do disco com “When you know” que faz você sentir um abraço ao escutar, o clipe é formado com vários vídeos de fãs que mandaram durante a pandemia trechos da letra, tendo fãs de todas as partes do mundo participando, é bem divertido assistir, e tratando da letra tem vários momentos dizendo que o amor deve sempre prevalecer e que devemos antes de tudo amar a nós mesmos em diversos momentos. Pra fechar o top cinco vamos com “Pushing Daisis” que fecha o disco em si também, é uma daquelas músicas que anima demais com seu ritmo, e te toca já de primeira quando se escuta, como “Life is a joke and we get dead anyhow, lowlife kids got to live how you wanna live, fuck society, fuck your politics, fuck yourself and fuck the way it is.” E termina o disco com esse grito pra nos libertarmos de todas as amarras emocionais que o mundo impõe a nós, sejamos mais livres das opiniões alheias e saibamos viver mais do momento! Citei cinco músicas mas é real, o disco por completo é sensacional, vale escutar todas como "Sick Joke", "Lowlife", "I revolve (around you)" entre outras, se deliciem ao descobrir os encantos que a banda pronuncia a nós!



Links da banda